Macedónia do Norte: o último segredo bem guardado do sul da Europa
- Be Naturgift

- 28 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Há ainda lugares na Europa onde a viagem acontece ao ritmo da paisagem e não do relógio. Onde os caminhos atravessam montanhas intactas, os lagos refletem séculos de história e as cidades mantêm uma identidade que não foi moldada pelo turismo de massas.
A Macedónia do Norte é um desses raros destinos. Discreta, autêntica e profundamente surpreendente.

Situada no coração dos Bálcãs, entre a Grécia, a Albânia e a Bulgária, a Macedónia do Norte permanece fora dos circuitos turísticos tradicionais. E é precisamente aí que reside o seu encanto: um país onde a natureza selvagem, o património histórico e a cultura viva coexistem de forma natural, oferecendo uma experiência de viagem genuína para quem procura descoberta, aventura e contacto com o território.
A porta de entrada faz-se geralmente por Skopje, a capital, uma cidade de contrastes onde o passado otomano se cruza com uma identidade moderna em construção. O antigo bazar, um dos maiores dos Bálcãs, continua a ser o coração pulsante da cidade, enquanto a fortaleza de Kale observa silenciosamente o vale do rio Vardar. Do alto do monte Vodno, a imponente Cruz do Milénio oferece uma das vistas mais amplas sobre o país, revelando a geografia montanhosa que define grande parte da Macedónia do Norte.



A poucos quilómetros da capital, a paisagem transforma-se abruptamente no canyon de Matka, um santuário natural onde falésias verticais mergulham num lago de águas tranquilas. Mosteiros escondidos, grutas profundas e trilhos fazem deste local um dos melhores exemplos da harmonia entre natureza e espiritualidade, ideal para caminhadas, kayak e exploração em estado puro.

Mais a sul, o país revela um dos seus maiores tesouros: o Lago Ohrid. Considerado um dos lagos mais antigos da Europa e classificado como Património Mundial da UNESCO, é um lugar onde a história se reflete literalmente nas águas. A cidade de Ohrid, com as suas igrejas bizantinas, ruas empedradas e casas tradicionais voltadas para o lago, oferece uma viagem no tempo difícil de igualar. Aqui, o turismo é vivido de forma serena, entre mergulhos no verão, passeios de barco e longas conversas ao pôr do sol.



Entre Ohrid e o lago Prespa estende-se o Parque Nacional de Galičica, um dos melhores exemplos da diversidade natural do país. Trilhos de montanha atravessam prados alpinos e bosques densos, oferecendo vistas simultâneas sobre dois lagos e uma biodiversidade notável.

Mais a oeste, o Parque Nacional de Mavrovo revela uma Macedónia do Norte mais selvagem, marcada por montanhas dramáticas, aldeias tradicionais e a presença discreta do raro lince dos Bálcãs. No inverno, a região transforma-se num destino de neve. No verão, é um paraíso para caminhantes e amantes de natureza intocada.

Já o Parque Nacional de Pelister, o mais antigo do país, destaca-se pelas suas paisagens alpinas e pelos lagos glaciais conhecidos como “Olhos de Pelister”, reforçando a vocação do país para o turismo de aventura e de montanha. A tudo isto junta-se um património arqueológico surpreendente, como o antigo observatório megalítico de Kokino, que testemunha a relação ancestral destas terras com os astros e o tempo.


A experiência na Macedónia do Norte completa-se à mesa. A gastronomia reflete a posição do país como ponto de encontro entre culturas mediterrânicas, balcânicas e orientais. Pratos simples, reconfortantes e intensos, como o tavče gravče, cozinhado lentamente em barro, a truta fresca do lago Ohrid ou a pastrmajlija, uma especialidade regional que lembra uma pizza rústica, fazem parte do quotidiano. Os pimentos assados, transformados em ajvar ou malidzano, acompanham quase todas as refeições, assim como os vinhos locais e a inevitável rakija, símbolo de hospitalidade.



Chegar à Macedónia do Norte é hoje mais simples do que nunca, com ligações aéreas regulares a Skopje e Ohrid a partir de várias cidades europeias, muitas delas operadas por companhias low-cost. Para quem prefere viajar por terra, o país integra-se facilmente em roteiros pelos Bálcãs, sendo acessível a partir da Grécia, Albânia ou Sérvia.

Quanto à melhor altura para visitar, a primavera e o outono revelam-se ideais para explorar cidades, trilhos e parques naturais, com temperaturas amenas e menos visitantes. O verão é perfeito para desfrutar dos lagos e festivais culturais, enquanto o inverno atrai viajantes interessados em neve, montanha e paisagens silenciosas.


Ainda pouco tocada pelo turismo global, a Macedónia do Norte representa hoje uma oportunidade rara: a de descobrir um país europeu antes que ele mude. Um destino onde a viagem continua a ser feita de encontros, paisagens genuínas e histórias antigas: exatamente o tipo de lugar que convida a viajar com tempo, curiosidade e respeito pelo território.
📷 naturgift.pt / pexels.com







Comentários